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A arte da espera

Que a maternidade é um desafio eu acredito que todo mundo já sabe. Ao mesmo tempo, acredito que quase a totalidade das mulheres que são mães também reconhecem que é uma condição extremamente gratificante. Não à toa, a expressão “Ser mãe é padecer no paraíso”.

Também sabemos que toda gestante sonha que seu filho nasça “perfeito”, dentro daquilo que é socialmente esperado e com os cinco dedinhos em cada mão. Mas sabemos também que a Lei que rege nosso Universo, que também pode ser conhecida como Lei de Deus, tem suas aplicações próprias independentemente de nossas intenções. Lei é lei, não há como negar. E, por conta disso, nós enquanto participantes deste jogo chamado vida somos, muitas vezes pegas de surpresa com novas regras, como por exemplo o diagnóstico de um filho autista*.

Essa notícia chegou na vida da Alba, uma mulher de 58 anos, da cidade de Belo Horizonte que, há quase vinte anos dedica incontáveis horas da sua vida, para cuidar de seu filho Heitor, que foi diagnosticado com autismo aos 10 anos de idade. Ela nos conta que no início, teve uma enorme dificuldade em aceitar essa condição. O pai, foi o primeiro a se afastar. Ela então teve que carregar essa responsabilidade sozinha e parou a sua vida em função do tratamento do Heitor, além ainda de ter que cuidar de seus outros dois filhos.


Crédito foto: da esquerda para a direita Heitor e Alba - Foto Alba Lee Eram horas a fio, dedicadas a levá-lo a terapias, consultas e escolas. E, por conta disso, Alba começou a se fragilizar. “Enquanto ele era cuidado do outro lado existia uma mulher abandonada à sua tristeza e solidão”, nos diz. Até que chegou o dia em que ela enxergou a luz no fim do túnel e deu vida ao “Projeto Enquanto Espero”, que existe há dois anos.


Crédito foto: Artesanato Alba Lee

A ideia surgiu nas salas de espera dos consultórios e nas calçadas das escolas. Foi lá que Alba resolveu dar um basta na depressão e no pânico que estavam se instaurando na sua vida. Ela então começou a ler, a estudar e a produzir, e isso foi deixando-a mais forte. Ela então conseguiu resgatar sua individualidade, encontrar tempo para si e até entrou para a faculdade de Serviço Social, na Unihorizontes . “Temos nossas batalhas diárias porque, ao contrário das outras mães, nossos filhos não crescerão, se formarão e se irão para formar outras famílias. Estão envelhecendo junto conosco. Enquanto Espero tenho que fazer algo por mim”, diz.

A especialidade de Alba no “Projeto Enquanto Espero” são peças de artesanato, comercializadas em feiras da cidade ou por meio de seu perfil nas redes sociais (Facebook: Alba Lee https://www.facebook.com/alba.cutrim e Instagram: lee_alba https://www.instagram.com/lee_alba/).


Crédito foto: Artesanato Alba Lee Mas como o projeto tem um perfil de coletivo, é aberto para que outras mães de filhos com deficiência possam produzir em cima de suas próprias habilidades. Até o momento, oito mulheres já passaram pelo “Enquanto Espero”. Todas elas, mães de pessoas com deficiência que vivem o lema de ressignificar sua existência e protagonizar a própria história.


Vida longa ao “Projeto Enquanto Espero”!

*Você pode entender melhor sobre esse tipo de transtorno, bem como se inteirar um pouco a respeito da Lei 12.764, que garante direitos para pessoas autistas, acessando este site: https://www.vittude.com/blog/autismo/


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