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A família que elegemos

Uma das coisas que a gente gosta de fazer por aqui é puxar datas comemorativas e discorrer algumas palavras sobre as mesmas. Umas datas são mais conhecidas; outras, nem tanto. Amanhã, por exemplo, é comemorado o Dia Nacional da Família. Palavra e conceito antigo, porém que nunca esteve tanto na moda. Creio eu que isso ocorra devido ao crescente paradoxo entre o tradicionalismo hipócrita e purulento que vem sendo drenado em nossa sociedade versus a diversidade humana, que amplia conforme a evolução de cada ser.


Família. Palavrinha paroxítona de três sílabas acentuada por ser terminada em ditongo, etimologicamente vem de famulus e significa “escravo doméstico”, remetendo a pessoas que eram propriedades de um senhor, um pater familias, ou "pai de família". Este senhor era o dono da mulher, dos filhos e dos servos. Os séculos correram e o conceito de família não mudou muito. Dentro de uma sociedade patriarcal, família é sinônimo de pai, mãe e filhos.


Dentro deste agrupamento, pressupõe-se que se desenvolva o amor e se trabalhe valores a partir da educação do ser humano. Contudo, amor e educação, independem de haver um pai, uma mãe e filhos, para serem transmitidos. Inclusive, não é porque existe essa formatada configuração que o amor e os valores se farão presentes. Infelizmente, muitas vezes, a típica família com pai, mãe e filhos é de faixada e encobre as maiores maldades que um ser humano pode ser capaz de cometer. No meu entendimento para haver as virtudes que formam uma sólida base familiar, basta haver duas pessoas. Ou uma pessoa e um outro ser vivo onde, é possível unir coração com coração.


Afinal, a essência da vida se encontra a partir da múltipla manifestação. E que bom que esta ideia tem ecoado cada vez mais aos quatro cantos do mundo. Família pode ser pai, mãe e filhos (biológicos ou adotivos). Mas pode ser também mãe e filhos; pai e filhos; mães e filhos; pais e filhos; ela e ela; ele e ele; amigos e amigas que se unem; núcleos intergeracionais entre avó e netos ou avô e netos; tias/tios com sobrinhas/os, cachorro, gato e periquito. E todas as outras formas de agrupamento onde haja verdadeiramente o amor, o respeito, a partilha e a mútua ajuda para o desenvolvimento humano.

Foto: Wix


O mais contraditório é que agrupamentos que se destoam do padrão heteronormativo, muitas vezes, são combustível para acender a chama do preconceito e do ódio que já morava nos corações de pessoas pertencentes à “família tradicional”. Isso apenas nos mostra a fragilidade do sistema. Pois, se um núcleo existe para desenvolver o amor, não caberia ódio nesses peitos, afinal os mesmos já estariam transbordando bons sentimentos. É aí que as máscaras caem. Nosso momento histórico é esse: muitas máscaras vão cair para a vida na Terra se renovar.


Mas enquanto uma pessoa ou um grupo tentar impor suas crenças sobre outras pessoas ou virar as costas para aquelas e aqueles com os quais não partilham os mesmos hábitos de vida, a humanidade enfrentará batalhas desgastantes e até mesmo letais. É muito fácil falar de fraternidade se todos forem de um mesmo grupo. O nosso desafio é vivê-la aceitando a multiplicidade de almas, todas criadas por um mesmo Ser. Esta é a autêntica fraternidade universal, que aguarda os seres humanos no topo do pódio.


Acredito que toda infecção tem que ser expurgada para o organismo poder se curar. E o nosso momento de vida é um momento de limpeza etérica, que varrerá todo radicalismo e toda a intolerância, em prol de um mundo mais justo e respeitoso para todas as pessoas e todos os seres que aqui vivem. A sabedoria antiga nos mostra que tudo é regido por ciclos e a era de Peixes vem chegando ao fim. Um novo ciclo se iniciará, trazendo um conceito de família pautado no amor incondicional e altruísta (não apenas para aqueles que partilham do mesmo DNA).


E, para celebrar o Dia Nacional da Família, este mosaico de famílias, onde o amor é a energia motriz. E meus parabéns para essas brilhantes mães do nosso grupo, que fazem parte de um grupo de mais de onze milhões de brasileiras que assumiram criar seus filhos com muito carinho e amor, apesar da ausência da figura paterna.

De cima para baixo, da esquerda para direita: 01) Os filhos Heitor, Gabriel e Samuel, a gatinha Pipoca e Alba; 02) Letícia e Elizabete; 03) Adriane e os filhos João e Hellen; 04) Rosângela (ao centro) e as filhas Gabriela e Mariana; 05) Simone e os filhos Thiago (atrás), Ana Clara e Giovanni; 06) Bruna e o pequeno Giovane.


Feliz Dia da Família! Seja a sua como for! A minha é esta aqui:

Nossa cachorrinha bagunceira, Margarida; Dalila e eu; nossas calopsitas Huguinho (cinza) e Cali (branca).


Hasta la vista, baby!


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