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As lições que a vida nos dá

Talvez poucas pessoas saibam que hoje é comemorado o dia do estudante no Brasil. E, para que exista alguém aprendendo algo, é fundamental ter alguém ensinando algo.

A respeito desse posto de ensinar, acredito que vocês vão concordar comigo que a vida é a nossa maior professora. Assim sendo, do iletrado ao mais estudado dos seres humanos, somos todas alunas e alunos da vida. Obviamente, é de grande importância ter essa consciência para, então, poder assimilar da melhor maneira, as lições que a vida nos passa. Foi o que aconteceu com a Patrícia.


Crédito foto: @freepik


Em 2008, ela se formou em Farmácia/Bioquímica e, no começo de 2009, iniciou o mestrado, com o intuito de estudar um assunto muito delicado no universo de uma gestante: a pré-eclâmpsia. Para quem não sabe o que é, pré-eclâmpsia é um distúrbio da pressão arterial que geralmente ocorre após a 20ª semana de gestação, podendo acarretar complicações graves, até mesmo fatais para a mãe e o bebê. De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, por ano, no Brasil, ocorrem mais de 150 mil casos de pré-eclâmpsia.


Dentro dessa realidade tão presente e que amedronta muitas gestantes, a Patrícia, a partir de seus estudos, queria trazer mais clareza na hora de se fazer o diagnóstico dessa afecção, uma vez que este é unicamente clínico. Sendo assim, ela começou a estudar biomarcadores plasmáticos, para ajudar no diagnóstico, uma vez que a causa dessa síndrome ainda não é conhecida. E, quanto antes a gestante descobrir, melhor para ela e o bebê.


Patrícia concluiu o mestrado em 2010 e uma semana depois começou o doutorado, seguindo a mesma linha de pesquisa. Com o título de doutora obtido em 2013, ela se tornou, no mesmo ano, professora da Faculdade de Farmácia da UFMG. “Desde então, além da minha atividade como docente, dedico minha carreira como pesquisadora na elucidação de respostas biológicas que podem ajudar de alguma forma no entendimento e consequentemente na melhoria de vida das gestantes com pré-eclâmpsia”, diz.


Podemos perceber que ela é uma estudante com foco. Do diploma de graduada ao de doutora em cinco anos. Sempre buscando respostas para sanar um problema tão sério. Respostas, como ela nos disse, biológicas. Apenas. Até que em um determinado momento, veio a professora vida, com uma lição que a Universidade ainda não tinha lhe oferecido. “Antes do nascimento da minha segunda filha, Joana, em dezembro de 2018 pensava na pré-eclâmpsia apenas como uma condição puramente biológica, com aumento da pressão arterial e outras manifestações. Uma vez que tive uma gestação muito agitada, com a demanda do primeiro filho de apenas um ano e meio, vida profissional, falta de rede de apoio, demandas domésticas e como esposa acabei deixando de lado meu lado emocional.


Com 8 meses de gestação, comecei observar um ganho excessivo de peso em pouco tempo bem como edema nas pernas e cansaço anormal.


Um dia na casa da minha avó, após um episódio de cefaléia na noite anterior, resolvi medir minha pressão. Na casa de vó sempre tem uma aparelho de pressão, não é?! Ai veio minha suspeita após visualizar 140/90 mmHg no visor do aparelho. Daí liguei para a enfermeira obstétrica que me acompanhava no pré-natal da equipe Bom Parto e no outro dia marcamos uma consulta domiciliar. Após resultado do exame de urina, dois dias depois, a médica confirmou o diagnóstico e quatro dias depois o parto foi induzido e Joana nasceu com 35 semanas forte e saudável”, afirma.


Crédito foto: Patrícia, sua filha Joana e seu filho Miguel.


Foi quando Patrícia passou de pesquisadora a caso a ser pesquisado. Ela entrou para o índice de gestantes acometidas pela pré-eclâmpsia. Viver essa experiência, mexeu muito com seus sentimentos e também trouxe para ela uma nova forma de enxergar a vida.

“O nascimento prematuro da minha filha e o fim da minha gravidez no oitavo mês me trouxeram um misto de emoções uma vez que havia deixado para curtir e me dedicar à gestação justamente a partir do oitavo mês. Durante o primeiro mês de vida da Joana, apesar de tê-la em meus braços, psicologicamente, também a tinha em meu ventre. Foi difícil aceitar ter deixado para amanhã o momento de senti-la dentro de mim. Desde então, busquei entender qual seria o aprendizado daquilo tudo e concluí que o agora é único e deve ser vivido da melhor forma, CARPE DIEM!!”, diz.


Bom, uma vez que a vida é enxergada por outras lentes (trocando uma teleobjetiva por uma grande-angular, diria), o lado profissional também passa por mudanças, já que tudo está conectado. “No aspecto profissional e como cientista concluí que estudar o ser humano e suas complicações vai muito além de uma amostra biológica. Aspectos sociais, nutricionais, psicológicos, espirituais tem suma relevância na resposta que a ciência busca. Desde então, mudanças de paradigma aconteceram. Acabei de finalizar uma disciplina multidisciplinar para alunos de vários cursos da área da saúde (farmácia, biomedicina, enfermagem, odontologia e fisioterapia) em que foram abordados diversos aspectos da gestação e da pré-eclâmpsia como os cuidados nutricionais, psicológicos, odontológico, atividade física e trabalho de parto. Os estudantes ficaram felizes e agradecidos com o aprendizado "fora da caixa" que poderá ser levado para a vida profissional e pessoal uma vez que gestação é o fenômeno sublime da natureza”, comenta Patrícia.


Crédito foto: Imagem de arquivo Patrícia Nessralla


Acredito que estudar é trazer consigo a disposição de crescer na vida. Em todos os aspectos. E durante o nosso tempo letivo de vida, vamos nos encontrando com pessoas e situações que colaboram com a nossa caminhada. Tal qual um quebra-cabeças, onde cada pessoa encaixa uma peça e o sentido da vida vai se fazendo visível a nós, como reconhece Patrícia. “Gostaria de agradecer a professora e pesquisadora renomada em pré-eclâmpsia, Profa Dra Luci Dusse, que me inseriu nesta temática importante e tão desafiadora. Além disso, à Mónica e à Dalila por permitirem a eternização desta história bem como a possibilidade de sensibilização de quem nos lê agora!! CARPE DIEM!!!”, conclui.


Ficamos felizes em poder contribuir de alguma forma com essa história de superação e transformação. E é esse também o espírito do estudante. Alguém que está sempre disposto a se transformar a partir das lições aprendidas. Que a chama da sabedoria brilhe sempre em nossos corações de estudante!


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>Produção e diagramação: Dalila Pires<


 
 
 

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