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Dia das Mães

Quando me propus a escrever esses artigos/matérias para o blog, não imaginava o quanto iria agregar de conhecimentos gerais no HD que está instalado dentro da minha cabeça grande. Mas a cada tema proposto pela minha parceira, Dalila, abro minhas antenas da percepção de como as coisas se apresentam em nossa sociedade.


Sempre pensei que o Dia das Mães era atrelado à tradição católica, uma vez que este é considerado o mês de Maria. Mas não é. (Pausa para relatos lindos de mães que entrevistamos ao longo dos últimos dias).


Vivian está tendo hoje, o seu primeiro Dia das Mães. Há sete meses atrás, a cegonha trouxe Renê para a vida dela e do Geber. E um pacotinho desses cair de pára-quedas, sem sombra de dúvidas, representa uma mudança completa na vida não só dela, como de todas as mulheres que passam a assumir um novo papel: o de mãe. Os três primeiros meses, foram os mais difíceis; além das dores do puerpério e da transformação hormonal, vem o grande cansaço por passar noites em claro. A esses fatores, soma-se certas exigências sociais sobre a figura da mãe perfeita. “As pessoas te cobram uma alegria midiática que não existe. Existe um bebê lindo, sim! Mas, com ele, milhões de inseguranças com as quais você jamais tinha lidado”, afirma Vivian.

Crédito foto: @iaramusaart

Essas inseguranças decorrentes de um novo papel a ser assumido, faz com que a vida de uma mulher tenha automaticamente a obrigação de ser ressignificada. “Esse sujeito "mãe" não nasce junto com o bebê, leva um tempo. Temos que aprender que as convicções das outras posições-sujeito que ocupamos "filha", "irmã", "companheira", "profissional" não servem para o sujeito "mãe". Isso precisa ser elaborado, entendido, vivido… e isso envolve dores, desapegos, novas percepções. Todas as certezas e seguranças que eu tinha caíram por terra. Deram lugar a muita insegurança, angústia, medo de falhar, anseio de não estar pronta e de não ser suficientemente boa” comenta Vivian.


O primeiro filho é aquele que inaugura na vida da mulher o papel da maternidade. Talvez por isso as dificuldades sejam maiores aí. Contudo, cada gravidez é diferente e traz novas experiências, como nos diz Rebeca, que gerou dez, mas que perdeu um/a filho/a no início da sexta gestação. Hoje, sua filha mais velha, Ruth Paola, tem vinte anos e a mais nova, Andrea Guadalupe, está com 3 anos e 10 meses.

Crédito foto: Rebeca, seu esposo Diego e os filhos Ruth Paola (20), Ana Edith (19), Job de Jesús (16), Pedro Jacob (14), Paulo André (11), Miriam Judith (10), José Santiago (9), Clara Maria (6), Andrea Guadalupe (3) anos e 10 meses.


Para Rebeca, ser mãe é receber de Deus um dom. “Deus nos entrega aos seus filhos , com a excessiva confiança para cuidá-los e educá-los”, afirma. Dessa forma, a maternidade se atrela a assumir uma missão, que se sobrepõe a qualquer outra atividade. “É se doar ao filho até se esquecer de si mesma, é amar, se esvaziar de si, significa estar disposta a entregar o melhor de você mesma em troca de nada, gastar a vida ao serviço do outro”, complementa.


Rebeca nos mostra o quão inesgotável é a energia que brota de uma mãe. Contudo, ela também ressalta que essa postura vem de uma atitude voluntária, que requer disposição e força de vontade para aprender a ser mãe. “Isto se aprende, não é uma coisa que saia tão no automático, o amor que se sente pelo filho ajuda a se entregar mais facilmente, mas ao final é uma decisão. Como por exemplo renunciar ao sono quando o bebê nasce para alimentá-lo, ou cuidar dele quando está doente ou tem pesadelos… ou dedicar o dia inteiro para atendê-los, é um sacrifício mas pode ser prazeroso dependendo da atitude da mãe”, conclui.


Acho que força é a palavra que surge nas horas mais difíceis e, convenhamos, tornar-se responsável pela vida e desenvolvimento de um ser é uma perene fonte de horas difíceis. Por isso deixo aqui minha admiração pelas mulheres que vestem essa camisa e jogam como titular. À força, une-se o amor. Um amor também perene, que jorra da alma. Talvez esse seja o diferencial do papel “mãe” em relação a todos os outros papéis do mundo. E daí surgem situações desde os essenciais cuidados diários até ocasiões onde mães levantam carros, lutam contra crocodilos e ursos, enfrentam homens armados e muitas outras, para poder defender suas crias.


Tudo isso me faz crer que a maternidade aflora um instinto, vira uma chave; daí o fato do papel ser totalmente novo. Como diz Vanessa, mãe do João Pedro e do Heitor, “ser mãe é a expressão do amor mais intenso, transformador e revolucionário”.

Crédito foto: Vanessa, Heitor e João Pedro


A Karina, que é mãe do Guilherme, do Henrique e do Felipe, acredita que ser mãe é uma completude de seu ser. “Não preciso de mais nada nesta vida”, afirma.

Crédito foto: Karina e os filhos Henrique (3), Felipe (5) e Guilherme(7).


As dificuldades existem, não há porque negar. Mas apesar de tudo, ser mãe é também ser resiliente. Kethlen é mãe da Kamilly Victoria, de 3 anos e oito meses. Durante a gestação, Kethlen contraiu o zika vírus e sua filha nasceu com a síndrome congênita em decorrência dessa enfermidade. Para essa mãe, cada instante da vida de Kamilly, é grande motivo de alegria. “Cada momento, cada conquista, cada sorriso me torna alegre. Cada som que ela faz e cada gesto, tudo nela me faz ser alegre por ser mãe”, diz Kathlen, que acredita que ser mãe é ver no próprio filho o motivo para seguir em frente.

Crédito foto: Kethlen e Kamilly (3).


E esse "seguir em frente", sem sombra de dúvidas é o campo onde as mães depositam sua energia de vida. Seja para fazerem de si, mulheres mais realizadas, seja para oferecer a seus filhos as oportunidades de se tornarem seres humanos desenvolvidos. “O maior desafio que enfrento em ser mãe é com a educação e formação dos meus filhos; quero muito formar pessoas melhores para este mundo. Meu maior presente para o dia das mães seria o de ter a certeza que meus filhos serão sempre seres empáticos, generosos, educados, cordiais, que saibam respeitar e conviver com as diferenças, que valorizem as coisas simples da vida e que sejam gratos”, comenta Vanessa.


E, nessa conciliação dos papéis, os desafios fazem com que a mãe-mulher tenha necessidade de encontrar o ponto de equilíbrio. Para Karina, o maior desafio de ser mãe, diz respeito a encontrar seu lugar no meio desses papéis. “Meu maior desafio foi me reinventar como mulher, profissional, amiga. Redescobrir e ressignificar essas mulheres que existem em mim e não deixar que elas desapareçam em meio à magnitude da mulher mãe”, afirma.


Como diz a Kethlen, “cada mãe é de um jeito e todas são as melhores”. Por isso, não há aqui espaço para cobranças e comparações. Cada mãe é única. “ Então viva a sua maternidade com as condições que você tem, sem o compromisso ou obrigação de provar nada para ninguém sobre o que esse papel significa”, complementa a Vivian.


E uma vez que há esse reconhecimento da individualidade de cada ser e de cada relação, a mãe-mulher pode olhar mais intensamente para dentro de si e exercer o autoamor, para poder repassar o amor. Por isso a Karina sugere que as mães “nunca deixem de se amar. Porque o amor de mãe é tão poderoso que muitas vezes nos faz esquecer de nós mesmas! E uma mulher completa no sentido do amor próprio é sem sombra de dúvida uma mãe muito melhor”. E não há nada melhor que uma boa relação entre mães e filhos, por isso, “vivam com mais leveza, brinquem mais com seus filhos, criem memórias afetivas e brincantes no decorrer dos seus dias, digam aos seus filhos que os ama, que você erra muitas vezes, tentando acertar, que você é um ser em construção, assim como eles também são e sejam gratas por esta missão linda e desafiadora que é ser mãe”, conclui Vanessa.


Então, minha gente, com essas palavras aqui expressas a partir da experiência dessas mulheres valentes e amorosas, fui juntando as peças de um quebra-cabeça sobre o exercício da maternidade. Pode ser um, dois, três, dez ou quantos filhos forem; cada um com suas especificidades é corresponsável pela construção do arquétipo da mãe na vida de uma mulher. Parece complexo, mas esse quebra-cabeça se simplifica se entendermos que a regra principal do jogo é a doação do amor, desdobrado nas pequenas ações do dia-a-dia, em prol de um ser humano em desenvolvimento, que dela se nutre.


Tal como Gaia, elemento primordial, Mãe Terra. Gaia é mãe da titânide Reia que, por sua vez, é a mãe dos deuses do Olimpo. A ela, foram dedicadas as primeiras festas do Dia das Mães.

Crédito foto: Gaia - Mãe Terra (Mitologia Grega): @freepik


E, já com muitos séculos de distância, o nosso Dia das Mães, surgiu a partir de uma homenagem que Anna Jarvis fez à sua mãe, dois anos após a sua morte, em 12 de maio de 1907. Anna era filha da ativista Ann Reeves Jarvis, que em 1858 fundou o Mothers Days Works Clubs (Clube do Dia das Mães) com o objetivo de diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Ann também organizou em 1865 o Mother's Friendship Days (Dias de Amizade para as Mães) para melhorar as condições dos feridos na Guerra de Secessão que assolou os Estados Unidos no período. A data foi ganhando força nos EUA e chegou ao Brasil em 1918, a partir da Associação Cristã de Moços do Rio Grande do Sul. De lá pra cá, começamos a comemorar esse dia tão especial. Em outros países a data pode mudar.


Ficamos por aqui. Um bom domingo e um Feliz Dia das Mães para todas as mães do Brasil! Até o próximo texto!




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>Produção e diagramação: Dalila Pires<

 
 
 

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