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Colo para Mães

Frequentemente vemos crianças levarem um tombo ou sentirem algum mal-estar e irem buscar acolhida no colo de suas mães. O colo torna-se um local sagrado, de revitalização energética e fonte de bem-estar. Percebemos também que esta é uma atitude que permeia a maior parte dos seres vivos. Não sou bióloga para afirmar que este comportamento se faz presente em todos, mas facilmente o percebemos em aves e mamíferos, pelo menos.


A mãe que acolhe, um dia foi criança e provavelmente soube o que é ser acolhida. Mas, o fato dela ter crescido e aprendido a controlar suas lágrimas não faz com que ela não tenha mais a necessidade de um colo para aconchegar sua alma, reconfortar seu corpo e encorajá-la para as batalhas do dia-a-dia.

Crédito foto: Freepik


Já trouxemos aqui em nosso blog, a história da Alba, uma mulher incrível que se dedica aos seus três filhos, sendo que o mais velho, Heitor, é autista. Hoje, vamos falar do trabalho desenvolvido por outra mulher incrível, sendo que esta atua em uma posição diferente a da Alba, porém voltada para temática semelhante.

Karina Pires é psicóloga há 17 anos e por mais de dez anos trabalhou em uma instituição voltada para crianças com deficiência física. Lá, além de atender as crianças, ela atendia os responsáveis, sendo que a maioria era composta por mães de pacientes. A partir dessa experiência, Karina começou a se conectar com a luta dessas mulheres que, muitas vezes se deslocavam com seus filhos cinco dias por semana na cidade de São Paulo, para que eles pudessem ser atendidos nas terapias indispensáveis às suas necessidades. Vale lembrar, que muitas dessas mães ainda tinham que dar conta de seus empregos, da casa, dos outros filhos e do marido.

Um detalhe que chamava a atenção de Karina é que essas mulheres “deixavam os filhos impecáveis, nunca se esqueciam das consultas ou de qualquer coisa relacionada a eles, mas que se esqueciam de si, que nem lembravam a última vez que tinham ido ao médico”.

Cuidar do próximo é algo de extremo valor. Contudo, é importante reforçar em nossa sociedade a necessidade do autocuidado. Quando entramos em um avião, sempre nos dizem que, em caso de emergência, devemos colocar a máscara de oxigênio em nós mesmos antes de ajudar a pessoa ao lado. Essa sugestão encaixa bem ao clássico ensinamento do Mestre Jesus: “Amarás o próximo como a ti mesmo”. Mas percebo que em nossa cultura latina “o ti mesmo” fica sempre em segundo, terceiro ou quinquagésimo plano.

Karina enxergava nas mães de seus pacientes, mulheres com histórias lindas, de amor e superação, nutrindo grande admiração por elas. No entanto, durante os atendimentos ela percebia que essas mesmas mães possuíam uma visão totalmente diferente daquela que ela tinha. “Encontrava mulheres com baixa autoestima, sentimento de menos valia, com sintomas de depressão. Mulheres que não se olhavam, que não se conheciam, pois estavam ocupadas demais”, diz.

A partir dessa vivência, nasceu em Karina a vontade de realizar um projeto para atender a essas mães. Seu objetivo era “proporcionar um espaço (mesmo que virtual) de acolhimento, reflexão e troca de experiências. Um ponto de encontro, onde elas pudessem contar sua história e se sentirem especiais e únicas. Foi então, que veio a ideia dos vídeos com depoimentos sobre sua história junto ao filho”.

Crédito foto: Imagem de arquivo de Karina Pires

Assim, há pouco mais de um ano, foi criado o Colo para Mães. A partir da captação de depoimentos, Karina apresenta para o mundo histórias de mulheres guerreiras, que enfrentam suas batalhas com muito amor no coração. No início, ela convidou algumas mães que já conhecia para participarem das gravações. Atualmente, outras já fazem contato por conta própria ou vêm a partir de pessoas que conhecem o projeto, mostrando a expansão gradativa do mesmo.


Crédito foto: Imagem de arquivo de Karina Pires

O fato delas poderem se ver no vídeo, funciona como um espelho, mostrando às mesmas a força que têm, além de trabalhar aspectos do autocuidado. “Quanto a utilizar o vídeo, pensei na importância destas mães se olharem de forma concreta. Que elas pudessem olhar na câmera e perceberem uma beleza escondida diante da correria do dia-a-dia. Mães que chegam com cabelo arrumado, unhas pintadas, maquiadas... e também para que outras mães pudessem olhar com admiração. E através dos comentários feitos nos vídeos para estas participantes, percebo a sua alegria, o orgulho de ser quem é, uma mudança em sua autoestima. Isto não tem preço”, diz.

Crédito foto: Imagem de arquivo de Karina Pires

Além da transformação no visual, essas mulheres acabam passando também por uma transformação psíquica, ao vencerem a timidez para com a câmera e ao desenvolverem a coragem de expor suas histórias, servindo de exemplo para muitas outras mães que passam por situações semelhantes. Desta forma, Karina vai oferecendo a transformação que só um colo é capaz de proporcionar, colaborando de maneira a espalhar mais amor e empatia no mundo. Que assim seja!

Até a próxima!

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